A presidente Dilma Rousseff bem que tentou aplacar a crise com o Congresso, mas a lua de mel durou pouco.
Menos
de 24 horas depois da reunião dela com deputados da base, o PMDB
decidiu enfrentar mais uma vez o governo insistindo na votação imediata
do orçamento impositivo, aprovado nessa terça-feira em comissão especial
e inserido na pauta de hoje do plenário da Câmara.
Apesar de o tema não ter sido debatido
no encontro de segunda-feira, por meio de seus interlocutores, Dilma
avisou que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que obriga o
Executivo a cumprir as emendas parlamentares pode ser inconstitucional
e, no mínimo, a votação deveria ser adiada.
O argumento acabou ignorado pelo próprio presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
Com o apoio de sua bancada, ele lançou mão de todas as manobras possíveis para garantir a aprovação em tempo recorde.
Esperança
Com derrota garantida na Câmara, a esperança do Planalto será depositada no Senado, onde já há promessas de apoio.
Geralmente, as atividades dos colegiados
são encerradas quando a ordem do dia no plenário começa. Ontem, para
garantir a votação do orçamento impositivo, Henrique não só insistiu
para que o tema fosse votado na comissão especial como cancelou todas as
demais votações da Câmara.
Interstício
Regimentalmente, seria preciso aguardar pelo menos dois dias para que uma PEC aprovada em comissão seguisse para o plenário.
O chamado interstício, porém, será
quebrado com um requerimento na própria sessão extraordinária de hoje em
que o tema será votado.
A intenção é aguardar até o último minuto para que o máximo de parlamentares compareçam.
Para ser aprovada, a PEC precisa de 308
votos favoráveis de um total de 513 deputados. É uma conta considerável,
sobretudo em face da maioria tida pelo governo e a pressão ainda maior
que deve exercer.

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